OKRs morreram? O que substituiu nas operações de bilhão
Como conselhos têm trocado metas trimestrais por compromissos públicos com indicadores líderes.
Ana Vasconcelos
Ex-VP de Operações · varejo de moda
OKRs nunca morreram — perderam relevância em ambientes onde foram aplicados como ritual e não como ferramenta. A confusão é antiga: a metodologia que ajudou Andy Grove a transformar a Intel virou, em muitas empresas brasileiras, um trimestre inteiro dedicado a colorir células de planilha em verde, amarelo e vermelho.
O que conselhos maduros têm pedido é diferente: compromissos públicos com poucos indicadores líderes, revisados em cadência mensal, com acionáveis claros. Menos métricas, mais responsabilidade. Mais conversa, menos relatório.
Indicadores líderes são aqueles que antecedem o resultado. Em vendas, número de reuniões qualificadas por SDR. Em retenção, NPS por coorte de onboarding. Em operações, lead time por etapa do fluxo. Eles permitem ajustar o leme antes de bater na pedra.
O que substitui o OKR clássico não é um framework novo — é uma postura nova. Uma diretoria que aceita ouvir ‘não sei’ na reunião de revisão. Um time que aceita prometer menos para entregar com convicção. Uma cultura que premia ajustar a meta no meio do caminho quando a realidade muda.
Para o líder do middle-market brasileiro, a lição é prática: se sua planilha de OKRs tem mais de duas páginas, você está medindo. Não está liderando.